sábado, 8 de julho de 2017

Homem-Aranha: Regresso a Casa, por Eduardo Antunes

https://splitscreen-blog.blogspot.com/2017/07/homem-aranha-regresso-casa-por-eduardo.html

Título originalSpider-Man: Homecoming (2017)
RealizaçãoJon Watts

Após o cansaço da semelhança entre as diferentes iterações da personagem até hoje, e após uma breve mas apreciada aparição de Tom Holland em Captain America: Civil War, as expectativas para este filme eram no mínimo altas, mais não fosse para entender como poderia resultar a parceria entre os estúdios da Marvel e Sony. Felizmente, esta interpretação do Homem-Aranha distancia-se o suficiente das anteriores para nos fazer interessar e querer ver mais de futuro.

Desde o início, Tom Holland parece de facto ser a escolha óbvia para interpretar a personagem de Peter Parker. Tímido, desconfortável, imprudente, e ainda assim entusiasmado e confiante, como qualquer adolescente, com ou sem poderes, não só nos agarrou desde o ano passado, como nos faz querer acompanhar a sua jornada durante todo o filme. Aliás, no final queremos perceber melhor a extensão das consequências que as suas acções durante o filme têm para a sua personagem e o seu mundo.

Mas ainda que Tom Holland seja uma aparente escolha perfeita para interpretar Peter, na interpretação do seu alter-ego, apesar da sua constante jovialidade e comparativamente a Andrew Garfield antes dele (especialmente em The Amazing Spider-Man 2), fica um pouco aquém do que, enquanto fã, estava à espera. As constantes piadas lançadas mais rapidamente que os seus lançadores de teias estão em pequena dose, que talvez se perceba pelo facto do filme positivamente acompanhar ainda os primeiros passos de Peter para tentar entender que tipo de herói deve ser antes de sequer pensar em ser um membro dos Vingadores.


Em parte, precisamente esse sentimento de pertença a um universo maior da Marvel funciona como grande benesse do filme mas também como um ponto que o retém atrás de outras tentativas. A verdade é que a excelente dinâmica com o Homem de Ferro de Robert Downey Jr. funciona, não só no universo maior, como para ambas as personagens, dando um mentor e ídolo óbvio a Peter mas igualmente alguma mudança à personagem do Homem de Ferro, que até ao ano passado parecia não ver reais consequências para as suas acções.
Ainda assim, ao mesmo tempo, as constantes ligações com eventos de filmes anteriores, ainda que oferecendo ideias interessantes para a origem do vilão, muitas vezes se sobrepõem à dinâmica que Jon Watts tenta trazer através das restantes personagens adolescentes e nunca nos deixa sentir totalmente como expectadores de um filme do Homem-Aranha e/ou Peter Parker.

Essa dinâmica funciona em especial através da personagem de Ned, que traz algo muito diferente do que já havia sido feito com Harry Osborn, fazendo-nos relembrar das aparentemente imutáveis amizades dos tempos de liceu. Mas no papel de melhor amigo que descobre a sua identidade secreta, é impossível não fazer comparações com a Gwen Stacy de Emma Stone e sentir saudades desta. A verdade é que a química entre Peter e Gwen explorada por Marc Webb era o que de facto elevava os dois filmes anteriores, e aqui não consegue ser substituída da mesma maneira. 

Apesar de tudo isto, a fraca qualidade em geral dos vilões existentes nos filmes da Marvel é, felizmente, aqui abordada de uma forma bem-vinda, o que alivia bastante o terceiro acto da narrativa e nos mantém investidos até aos créditos. Não só no início no terceiro acto é-nos oferecido um twist que oferece uma dinâmica diferente no conflito final com a personagem de Michael Keaton, como o próprio destino do vilão não é o habitual, fazendo-nos interessar no que poderá vir de seguida não apenas para o nosso protagonista.
Para isto ajuda também a inexistência de uma última cena de acção de exagerada escala, que faz com que de facto este se sinta, contrariamente aos seus "colegas" Vingadores, como um "herói do povo", no meio de ameaças menores.

Podemos, desta forma, afirmar com bastante confiança que, após quaisquer maus sentimentos que tenham ficado relativamente às últimas tentativas de manter esta personagem no grande ecrã, esta última não desaponta, distanciando-se das demasiado semelhantes histórias de origem de heróis da Marvel que temos visto nos últimos tempos. E apesar de não chegar ao nível de Spider-Man 2 na profundidade como explora a ambiguidade e conflito entre as suas responsabilidades enquanto aluno do liceu e herói mascarado, é um bom início numa nova direcção, necessitada e merecida desde 2007. Esperemos que as sequelas mantenham esta qualidade na cooperação entre estúdios.



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